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Muitos dizem que as palavras precisam de espadas, para serem eficazes. Que a vida nas organizações se deve à normas, regulamentos e hierarquias. Nada mais distante da realidade: De que adianta mandar e não ser obedecido? Estabelecer padrões que serão desrespeitados? Os bonitos guidelines, na maioria das empresas são apenas uma  peça de ficção corporativa. Integrar é uma visão sustentável 360º.

Aquilo que se encontra dentro do coração é o verdadeiro Tesouro!
            A BARREIRA DOS 40 

Quantos anos você tem? Saber responder a esta pergunta é estratégico para o sucesso da carreira de qualquer profissional. Como assim? Eu explico: em uma sociedade despreparada, temos que evitar ser avaliados pela idade ou sofreremos preconceito. Ao contrário do que muitos pensam, existe uma espécie de limite, uma área de sombra nas organizações, que parece determinar os caminhos da empregabilidade. Ela fica bem ali, no cruzamento do foco em resultados com a otimização de processos e nutre silenciosa aversão pelos elementos considerados “fora da faixa mais produtiva”.

 

Esta fronteira é um litoral entrecortado, cheio de margens interpretativas, onde o imponderável está presente e as palavras são pardas. Não é bem um lugar, mas um conjunto de crenças e práticas. A regra velada e geral, destes dias secos, tem sido não manter no time, quem ultrapassar determinadas barreiras, especialmente as da idade.  Por esse perfil, mormente iniciando aos 25 e indo até a faixa limite dos 40, define-se o quociente ideal de desempenho, competências, acesso e manutenção na função.

 

Vejam só a ironia. Uma vez que a essência do tempo é passar, todos, um dia, adquirirão uma somatória de competências para entender profundamente os processos da empresa. Enfim, estariam bem integrados e aí mora o perigo das estratégias de adaptação. Aos mais jovens, a recusa se explica pela falta de vivência prática e na outra ponta, porque os mais experientes são aqueles que se recordam das concessões efetuadas para a companhia e conhecem os erros da operação. Em todo caso, é preciso estar preparado para navegar nesta fronteira hostil, pois até os sites especializados em empregos, pedem para você tirar a idade do currículo.

Mas, estamos no final de ano, tempo de reflexão. Então vai aí um velho aviso aos navegantes: ter 40 anos não é mensurável, não é um artigo que se precifica e depois se joga na prateleira dos fundos do mercado de trabalho. Aliás, dá para calcular o valor real do tempo necessário até que a combinação entre prudência e justiça, permita ao profissional desempenhar sua melhor década produtiva? Qual seria o preço se tivéssemos que adquirir por aí, confiança, compromisso e qualidade técnica, em patamares de excelência? Alguma coisa não faz sentido.

Imagine este time, Michelangelo, Beethoven, Schiller, Emerson e Bell; Einstein, Chateaubriand, Churchill, Bento Prado Jr e Gandhi, Sabin, Spock, Mário Quintana, Zilda Arns, Zélia Gatai, Lígia Fagundes Telles, Helena Meirelles, Irmã Dulce, Madre Tereza... E se todos estes e muitos outros, fossem aposentados aos 40? Quer dizer, desestimulados ou impedidos, por qualquer maneira, de trabalharem, falarem, sentirem e agirem com propriedade. Se lhes negássemos a legitimidade, o que ocorreria? Imagino que, no mínimo, não teríamos Ode à Alegria, nem a capela Sistina. Afinal, quem precisa da relatividade, filosofia, mapeamento de genoma, computadores, constituições, naves espaciais, redes e tudo aquilo que hoje está nos fundamentos de nossa sociedade e cultura? Seria uma vida mais cínica e pobre.

No mundo real, as histórias são outras. Eloqüentes em seu anonimato, pois o que há de melhor em uma existência é a lucidez dada pela maturidade. Você conheceu a Dna. Jacy? Não? Eu tive o privilégio de vê-la, inúmeras vezes, passando com seu carrinho de feira. Ela ia, ladeira acima, tomar o metrô para chegar a R. 25 de Março, e lá enfrentava uma multidão para fazer as compras, que depois distribuía aos necessitados. O mesmo carrinho que ela, aos 90 anos, também usava para tocar nas casas do bairro, angariando doações para muitas famílias e empurrava com tecidos até os cursos de corte e costura que mantinha para as adolescentes grávidas e mães solteiras. Deveríamos tê-la parado aos 40? O que você acha? Tem idéia de quantas lágrimas puderam ser evitadas e do teor da dignidade que foi restituída? Medimos este godwill? Os exemplos desta riqueza, não param por aí.

O reitor da universidade onde trabalho, no esplendor de seus cabelos brancos, ainda mantém o vigor físico e a estatura intelectual que o dignificaram em sua vida pública. Esta semana mesmo, recebi uma aula magna de comportamento empreendedor, em nossa reunião de rotina. Não trabalhem somente por salário, dizia ele, mas para construir uma carreira. Com certeza, alguém estará olhando para você e mesmo se, por ora, não os houver, suas realizações irão despertar a atenção para suas qualidades e, então virá a oportunidade. Este homem chegou ao topo depois das quatro décadas: elas foram necessárias para formá-lo! E ele não parou por aí, pois sua vontade era realizadora e a excelência decorria justamente de sua perseverança, conhecimento, experiência e visão de contexto.

Para os gregos, 40 anos era a idade do florescimento, tempo áureo da vida, de onde era possível emergir o melhor de si. Havia todo um percurso que garantia a qualidade do oferecimento. Mas, para os latinos parece ser a idade da estupidez, da galhofa, da demissão, da velhice. Como vimos, há muito que fazer na luta contra a mediocridade, o desperdício de recursos e talentos. Precisamos desmontar mecanismos decisórios que desconsideram o valor da experiência, pois indicam a leviandade da gestão e a obtusidade do modelo adotado. O trabalho realizador deve ser priorizado.

Naturalmente, devemos também responder a outras questões, relacionadas à trajetória profissional, em termos de capacitação e comprometimento, ou seja: Pesquiso, inovo, realizo, reciclo ou apenas busco ampliar processos e garantir áreas de conforto? Cuidado, pois aqui é o pulo do gato! Nunca faltará mercado para quem é muito bom naquilo que faz. O que você quer ser quando crescer?

Veja mais artigos do Prof. Luís Sérgio Lico

 

       O COMBUSTÍVEL DA CRISE

Obama foi eleito e nós aguardamos o mundo voltar ao normal. Não voltará, pelo simples fato que nunca foi o mesmo, após as revoluções tecnológicas e sociais dos últimos 25 anos. Um quarto de século e não mais reconhecemos a rua onde moramos. Mas continuamos, de certo modo enredados por ainda desconsiderar salvaguardas e acreditar em paradigmas quando há, na verdade, paradoxos.

Foram-se os bons tempos do chiclete com banana. No mercado, hoje é dia de crise com laranja, acidez bancária e bolsas com cebolas. Mídias sem filtro e obviedades totais, há muito denunciadas por Kanitz e Delfim Neto. Não devo correr o risco de ser original. Além destes mestres, Sexto Empírico, um milênio atrás, já escrevia contra a arrogância dos especialistas.

Hoje, mais do que antes, algumas coisas não mudaram. Para acalmar a multidão ansiosa, precisa-se de futurólogos para fechar a pauta das seis e chancelar as tendências imaginárias dos mercados voláteis. Todos devem ouvir opiniões frescas no jornal das oito ou a pressão sobe. Precisa-se do diálogo subliminar: cortejos de motorneiros de metrô, acusando pelo alto-falante, os usuários pela baixa qualidade do serviço. Atropelamos a sustentabilidade e agora precisamos regular o freio.

Quanto ao fato estridente destas informações postadas como conhecimento, modificarem sua vida, deixe-me explicar o que ocorre: todo mundo sabe o que dizer e como salvar sua empresa ou seu dinheiro, depois que tudo aconteceu. Todos apontam para onde a enxurrada vai passar e o que você deve fazer para se desesperar melhor. Não entre neste crediário e será mais feliz. Eu garanto!

Lembra-me a brilhante análise de Marx, no 18 Brumário de Luís Bonaparte. (alguém leu? Não? Xii! Desculpe!) Como disse alguém, a explicação foi incrível. Pena que o fato já havia ocorrido e o relato reconstituição da lógica e sincronia entre os acontecimentos, a título de validação da teoria. Estas formações discursivas do opinativo não devem fazer você sentir-se desmotivado. Somente quem já está em dificuldades, especulou em derivativos ou depende urgentemente de crédito para sobreviver, sentirá a ressaca globalizada.

Isto significa que a maior parte da economia, incluindo eu e vocês, absorverão as mudanças. A crise não passa de uma metáfora para descrever aquilo que os especialistas perderam a possibilidade de entender. Naturalmente, por fraqueza de nossas relações com as instituições, economia e estado, os cidadãos poderão arcar com mais impostos e criativas novas taxas de fornecimento de serviços. A grande histeria que se seguiu aos acontecimentos iniciados em setembro foi um alerta para as fragilidades do sistema mundial e para a falta crônica de ética nas operações. Estas e outras lâminas de insensatez e imediatismo ganancioso, alavancaram bancarrotas. Mas, sempre haverá os que saem fortalecidos da tempestade.

Nesta nova configuração das forças mundiais, podemos ter a oportunidade de demonstrar nossas maiores capacidades, entre elas as de inovação, resistência e produção de excelência em inúmeros campos. Temos talentos, criatividade e estrutura. Falta apenas retirar do cardápio estes modelos culturais ultrapassados de gerir empresas, tributos e pessoas, que tudo andará bem. Se ousarmos acreditar em fomentar nosso desenvolvimento através do estímulo ao conhecimento, daremos o salto estratégico que nos levará a liderança mundial em muitos setores, quem sabe, até na política.

Veja mais artigos do Prof. Luís Sérgio Lico

       ABSENTEÍSMO TEM CURA?

- Alô? Vocês têm palestras para casos de absenteísmo?

- Pode passar maiores informações? Trabalhamos sob demanda dos clientes...

- Ótimo! Vou querer uma palestra. Rápida. No máximo 1 hora. Vapt-vupt.

- Esta é uma questão que deve ser bem pensada. Precisamos ter cuidado na avaliação...

- Olha! Vamos ser mais assertivos? Quanto custa? Tem desconto? O coffee break e hotel estão no meu centro de custo. Será sexta-feira à noite. Todo mundo convocado. Sem extras. Manda hoje?

- Veja bem. O caso não pode ser tratado desta maneira...

- Concordo. Precisa ter efeito imediato. Tratamento de choque. O diretor pediu para resolver o problema das 

  faltas e atrasos e disse para chamar um consultor. Estou cotando com fulano e beltrano. Você sabe, né? Três orçamentos, o menor leva e sem essa de “valor agregado”.

- Mas... Precisamos analisar a situação: Como está o clima? As ferramentas? Os processos? Não é só chegar lá e dizer a todos: Parem de se desmotivar. Cheguem no horário ou então créu...

- Ai, ai, ai! Já vi que liguei para o lugar errado, não é? Quanta dificuldade!  

- Ok. Ok. Como está a situação?

- Prá mim são um bando de encostados. Vivem com atestado na mão. Cheios de desculpas: metrô, greve, sistema, chefia, família. Quem manda ter uma penca de filhos? Ninguém está comprometido. Falta vergonha na cara. Reclamam de tudo, só pensam em feriado. Um inferno. Entendeu?

- Acho que sim. Desde quando está acontecendo?

- Faz uns seis meses. Logo depois que vim para cá. Houve umas mudanças e acabamos com a farra do pessoal. Agora estamos enxutos e sem zonas de conforto. Você acha que uma hora é suficiente?

- Se eu falar a verdade, você não me contrata!

O que temos aí não é um diálogo surreal. Eu atendo duas ou três solicitações destas por semana. Trata-se da aquisição de “vacinas” contra os males das organizações. Nada mais natural, numa economia de mercado, onde os compartimentos são estanques e as métricas definem normas e procedimentos irredutíveis. Nossa cultura ocidental tem uma maneira peculiar de lidar com as coisas: precisamos de chancelas, de carimbos e rótulos. Como tudo está engendrado numa “cadeia de produtividade”, o pensamento indutivo supõe que cada um tem seu lugar e serve para algo. Se não for professor, não pode ensinar; se não for especialista, não pode opinar. E a recíproca é verdadeira: geólogos não consertam sapatos e maridos não lavam a louça. Admirável mundo novo!

A lista continua: se faltar uma peça, tem que buscar no almoxarifado (se for Just-in-time, danou-se). Se o caso é serviços, tem que chamar alguém do ramo. Quando o problema é na equipe ligam para o consultor. Enfim, para tudo tem uma voz “autorizada” a falar e que traz a solução para os problemas que nenhum outro membro da sociedade está habilitado a resolver. Naturalmente, este processo é até lógico, o duro é a maneira em que estão dispostas as coisas e forma de aquisição. Em algum lugar do passado as pessoas se preocupavam com uma visão global e orgânica, hoje se busca o core business. Explico: como tudo é produto, quando aparece uma necessidade a ser resolvida, se vai “ao mercado” buscar o pacote de salsinha, quer dizer, solução. Se o caso é absenteísmo, presenteísmo ou um “gap” de competências, as pessoas procuram um preparado, uma técnica, uma mistura semipronta que resolva a questão. Basta fazer uma cotação e comparar. Simples. Estratégico.

Aí começa o non sense. Uma gelatina está pronta, após adicionar água. Será que uma equipe maltratada e mal orientada consegue ser motivada pelo showman mais caro numa sexta à noite, sabendo que na segunda vão encontrar a mesma cadeira quebrada e o chefe carrancudo? Vamos lá, meus Campeões! Motivem-se! O Futuro está em suas Mãos! Vocês são Vencedores... Putz! Ninguém merece. Se há uma cura para os males das organizações, estes procedimentos devem primeiro, interpretar relações. Segundo: devem mapear ferramentas, processos e interações. Finalmente, precisam estar alinhados com as estratégias que realmente trazem vantagem competitiva. Entre elas a racionalidade das análises, clima, contexto e ações produtivas. Neste meio tempo, atender às necessidades das pessoas a partir de políticas claras e ações sustentáveis.

A cura dos variados estados patológicos organizacionais envolve uma técnica diagnóstica, 360º, que desmonte os falsos indicadores e potencialize os aspectos positivos das situações. Sempre haverá os irresponsáveis. Mas, via de regra, ninguém motivado se atrasa com freqüência. E, mesmo se o problema for esse, o que impede a compensação com um banco de horas? É preciso criatividade para viver numa cidade onde o colapso dos transportes é uma realidade. Faltas médicas ou entrevistas de emprego para fugir do ambiente insalubre? Para o primeiro, composição e acordo; isto resultará em gratidão e, com isso aumento da fidelidade à empresa. O outro é indicador da saúde e competitividade: poucos fogem de um lugar promissor ou onde a convivência é saudável. 

Desta maneira a perfeita sintonia e integração entre missão da empresa e missão pessoal é o que mantém os desafios superáveis. Uma assessoria externa pouco pode fazer se não contar com o apoio da vontade realizadora dos profissionais que nos contratam. Resultados sustentáveis vêm de estratégias consistentes e devem alinhar três fatores-chave: Retorno, Inovação e Sustentabilidade. O primeiro é o óbvio: organizações necessitam lucrar. O segundo permite obter resultados com melhores custos e isto quer dizer sobrevivência. O terceiro significa produzir sem destruir; liderar sem coerção ou desrespeito e recompensar sempre o mérito. Quem quer ouvir aquele que clama no deserto? Somente os sábios se inclinam diante das propostas éticas. Estes geralmente ganham mais.

A palestra é um tônico revigorante, uma medicação para despertar a sensibilidade, fortalecer o sentimento de auto-realização e cooptar o engajamento dos melhores valores. Funciona muito bem para aqueles que estão buscando destacar-se na organização. Mas não é uma panacéia. Se o caso é grave, é preciso tratar, além das pessoas, as lideranças, as políticas e os valores. Todo um modelo precisa ser analisado e suas resistências mapeadas, com auto reflexão. Senão nada funciona e ainda nos traz surpresas. É como a mãe que leva o filho ao psicólogo e reclama que ele não obedece. Na maioria dos casos, quem precisa de tratamento é o adulto e não a criança. Ela só responde aos estímulos de seu ambiente. Quais estímulos da organização afetam nossa rotina?

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