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Estamos lançados numa história e pertencemos a um tempo em furiosa velocidade de transformações. Intuímos a imediaticidade de uma consciência em relação com a exterioridade e consigo si mesma. Esta é uma condição onde a nossa simples presença altera o fluxo das coisas e nos convoca a participar de processos e construções.

No desenvolvimento destas convergências, pertencimentos e distanciamentos, há uma fratura inicial imposta pela necessidade de se fazer escolhas: A vida existe e não pode ser subsumida a conceitos ou a uma analítica que lhe recomponha reflexivamente o sentido. No entanto, o que mais vemos são os fragmentos cenográficos a que se tenta reduzir a vida. Todo um universo de crenças e saberes não mais se sustenta.

O pensamento não é um jogo psicológico que deve fazer refletir em nossa consciência um algo exterior o mais fielmente possível. Assim não se trata de considerar a relação reflexiva pelo fato de existir a reflexão do objeto em nós, mas pelo sentido deste e sua existência. O que isto pode significar, senão que abandonamos as certezas do ente após a morte do sujeito? E assim sendo, quem é mesmo você?

A rejeição dos modelos do verdadeiro e o avanço do pragmatismo utilitarista nos legaram uma civilização sombria e encarnada. Precisamos recuperar o elã vital que nos unia à todas as possibilidades criadoras. Não mais animados por uma vontade de sistema, buscando retrabalhar a granulação dos solos e oferecer uma nova condição de possibilidade. Mas, pela oposição tanto à decadência, quanto à racionalidade absurda.

Devemos aprender a conversar e isto pressupõe ouvir algo mais que o som de nossa própria voz. Por fim, desarmar qualquer ataque preventivo e antecipado contra uma posição (muitas vezes sequer foi enunciada) e buscar ao menos a equidistância. Antes prudência que neutralização.

Para isso, naturalmente, devemos redescobrir o sorriso. E se tivermos que rejeitar uma opinião, cuidar de não adotar a posição contrária. Em suma, perceber o entorno do fluxo realizado, as franjas de intuição que apreendem o tempo. Há muito mais à descobrir se pudermos confiar!

 Filosofar é um ato simples.